sexta-feira, 3 de julho de 2015




Às Vezes Menos é Mais.
J. Norinaldo.



“O Maior prazer de um homem inteligente é se passar por um idiota que banca o inteligente”. Não sei se sou inteligente, mas tenho tido este prazer supracitado; em várias ocasiões sei que estou sendo nada mais que o bobo da corte e morrendo de rir por dentro. Conta uma lenda que um Sheik em algum lugar da Arábia, todos os dias chamava perante os amigos um individua que era tido como idiota e lhe mostrava duas moedas, uma grande de pouquíssimo valor 25 centavos e outro bem menor que valia um Dihan, e este escolhia a maior e todos davam muitas risadas. Certo dia, alguém perguntou ao homem que escolhia entre as moedas se não sabia que a menor valia muito mais e este respondeu: É claro que sei, mas também sei que no dia que eu escolher a menor, acaba-se a brincadeira e eu perco meus 3 pães diários. Houve uma época em que eu acreditei que era feliz, desfilava em Capitais estrangeiras com Dólares ou outras moedas no bolso; numa delas lembro que escolhíamos como táxi sempre carrões como Mustang, por exemplo;  frequentávamos, finos lupanares e cassinos, mesmo não sendo rico, mas tentava gastar como um. Ao contrário do Idiota da Arábia, pensava que tudo aqui seria eterno enquanto eu não escolhesse a moeda menor. Acontece que eu já havia escolhido, quando dependendo da quantidade de Dólares no bolso mudava até o jeito de andar. Manja quem está esperando o Gerente do Banco para saber porque seus milhões não foram aplicados em tais ações, e outro que tenta um mísero empréstimo já negado por outros? Assim era; vim aprender muito tarde a fábula do papelzinho dobrado e lacrado que o mestre deu ao seu discípulo dizendo: “Só o abra quando estiver tão feliz que acredite que jamais terá felicidade maior, ou quando estiver no seu maior desespero”. Hoje creio que hoje todos sabem o que estava naquele papel escrito; Algo tão simples e tão sábio: “Tudo Passa”.  E passou. Hoje eu tenho toda liberdade do mundo para viajar pelo mundo e não vou quase a lugar nenhum, ganhando mais do que ganhava naquela época, mas é fácil explicar, com muito mais responsabilidade e contas para pagar, não há muita possibilidade para juntar o dinheiro que joguei fora com tantas futilidades quando era jovem. Porém outro sábio que diz: Se eu pensasse como penso agora aos 18 anos, teria perdido muito mais que a metade da minha vida. Certa vez eu e mais uma companhia de Fuzileiros Navais, desembarcamos de  um Avião C-130 Hercules as 08h30m da manhã, eu carregava, no inicio uma base de 26 kg 6 horas depois o peso passava de 60kg com certeza, e sem comer, só bebendo água enquanto tinha no cantil, paramos para descansar as 18h;00. Cansei de jogar 3 horas de futebol de salão sem sair da quadra, o time que ganhava permanecia e eu era um grande goleador, quem me conheceu sabe disto. Hoje, para ir ao mercado a 300 metros de casa, tenho que ir de carro. Pretendo ir a Nova York ainda este ano, mas já pensando em caminhar um pouco e parar e a preocupação diferente da ostentação de outrora com os dólares que tenho no bolso e no Banco. Portanto, viva a vida sem nunca querer dar o passo maior que a perna e aprenda que as vezes menos é mais.

sábado, 27 de junho de 2015


Estão sobrando sonhos, Faltando bons sonhadores.
J. Norinaldo 


Diga-me a verdade qual é o seu sonho agora, terminar de pagar o carro? Não! Isto não é sonho, é obrigação você comprou o carro a prestação e terá que pagá-lo; sonhe com uma Ferrari que você  notou na garagem que entre a Porshe e a Lamborguini  Reventon  tem o espeço ideal para uma; isto é sonho. Você está na faculdade e vive sonhando que depois de atirar o chapéu da toga para cima em seguida surgirá um bom emprego, que dê para pagar o aluguel e sobreviver, para com isto, tem tanta gente sonhando a mesma coisa que já existe um enorme engarrafamento e engarrafamento você conhece, não anda ou anda morosamente. Esta sonhando ter a gata mais linda da cidade como namorada, mais um sonho engarrafado, não é por ai até porque se você consegue poderá ter condições de conquistar a mais linda do estado ou do país; sonha conquistar uma mulher a quem a e que sejas correspondido, que tenha além de beleza, conteúdo, pois nem só de cama vive um casamento;  que adianta ter a gata mais bela e gostosa da área, apresentá-la ao amigo, ele dizer sua garota é realmente bela e ela responder obrigado. Não sonha em fazer um Cruzeiro passando pelas Ilhas gregas, neste momento tem tanta gente sonhando com isto, que faltariam ilhas com certeza e transatlânticos suficientes, sonha ser o dono da companhia de navegação, a maior, vai lá à sala dos sonhos e vais ver que está quase ou totalmente vazia.  Você que está lendo isto, se estiver deve pensar: esse cara deve ser louco, com esta maneira de pensar não sobrariam pessoas que sonham com família com muitos filhos, netos e bisnetos e outras coisas mais. Ledo engano amigo, se assim fosse a população do planeta não passava dos seis bilhões; estou dando a dica os bilhões que não sonham apenas no que tem para comer amanhã, ou quando a vida de sacanagem depois de servir a mesa com a sobra do almoço requentado, sonha que está no último estágio da Torre Eiffel jantando um escargot á manteiga de Iaque, bebericando um Chambord Liqueur Roial 50Cl y Cremas, acorda e nem pode contar o sonho direito pois não lembra o nome do vinho. Está cheio, então aproveita e sonha os sonhos menos sonhados, mesmo que sejam os mais difíceis, porém se acontecer  você já não precisará mais sonhar; e afinal, sonhar não custa nada. Outra pergunta que com certeza você deve está se fazendo: Este cara deve ter tanto dinheiro que nem deus puxando com rodo consegue acabar; mais um ledo engano, mas sou bilionário em saber sonhar. Se for para sonhar com merreca eu prefiro um pesadelo que na verdade é a mesma coisa. Eu dei a dica, o resto é com você. Como qual você? Você que acabou de ler isto e está sonhando com uma semana tranquila no trabalho e que não falte grana para pagar a DSL no findu.

domingo, 24 de maio de 2015



A Depressão não é privilégio, pode atingir todos NOZES. Cuidado com os amigos, mesmo aqueles que um dia te levaram a  assistir “ O quebra nozes”!
J. Norinaldo.  

Quando eu mais precisei de um amigo, quando mais precisei de um abraço, de uma palavra de conforto que não precisava ser se amor, apenas algumas palavras, procurei quem acredite ser a fonte de onde eu poderia colher o que precisava e voltar mais aliviado de uma dor que não sabia de onde viera, apenas acordara certo dia numa tristeza imensa, buscara por todos os meios descobrir  sua origem em vão. Bati as sua porta e sem sequer me cumprimentar você me disse: Olha! Hoje eu estou muito feliz para te receber sabendo no baixo astral em que andas, volta outro dia, pensei ser uma brincadeira e até ensaiei um triste sorriso. Não era, você fechou a porta e mesmo eu sabendo que nada havia escrito em suas costas, consegui ler em letras garrafais; não! Não, volte mais, Eu não voltei, segui na verdade sem saber para onde, de repente me vi fora da cidade em uma estrada de chão cercada por uma mata verde, muito solitária. Parei o carro nem sei se numa sobra e não me contive comecei a chorar, coisa comum nos últimos dias; eu não falara nem para minha mulher, é claro que ela já havia notado minha tristeza, pretendia contar com aquele amigo na certeza de que me apontaria ou tentaria como bom amigo me apontar uma saída, uma solução. Estava chorando em prantos, com a cabeça sobre o volante, quando senti algo me tocar, levei um temendo susto e vi uma menina linda, não sei se a vi tão linda por causa do momento ou ela era realmente linda.; deveria ter 15 anos. Por que está chorando me perguntou com voz doce? Eu não sei se envergonhado ou com ódio daquela interrupção respondi talvez com certa aspereza: você está enganada,, não estou chorando, foi um cisco que caiu no meu olho e agora não para de escorrer água. Ela sorriu e disse com meiguice; foi um cisco ou uma tempestade de areia? Olhei séria para aquela menina que surgira do nada, e pude ver algo que achei estranho, aliás, tudo ultimamente para mim era estranho, ela trazia numa das mãos uma cestinha repleta de nozes. Nunca ouvira falar que existisse nozes  onde moro; meu coração disparou, era a loucura que nunca temi, ou sempre disse não temer, porque a loucura desmoraliza tudo, até a morte. Pelo jeito no meu caso nem tudo, pois a tristeza aumentava a cada respirar. Onde consegui nozes por aqui pergunte? Ela então demonstrando uma serenidade incomum as meninas da sua idade respondeu: essa não é a reposta para minha pergunta. As nozes existem em abundancia e disse o lugar que já não me lembro. Perguntei-lhe quantos anos tinha, sem antes dizer de maneira hilária não nesse o momento que não se pergunta a idade de uma mulher sem correr o risco de ouvir uma mentira, respondeu: 17 anos. Eu então lhe falei que não ficava bem estarmos sozinhos naquela estrada solitária somente os dois e que ela prosseguisse seu caminho que eu faria o mesmo. Ela então mais uma vez insistiu. Vou sim, até porque se quiser arranca com o carro e vai embora, respondi todas as suas perguntas até a que não devia e continua me negando uma única que lhe fiz, e vai para onde, sabe para onde vai esta estrada? Não! Respondi. Sua pergunta eu não respondi por maldade ou falta de respeito ou educação, eu não sei . Esta garota olhou para mim e disse, está com depressão, a doença do século precisa procurar ajuda.  Te juro que farei isto, quer uma carona até em casa? Não! Não quero, porque se continuarmos este papo eu não sei como ajuda-lo. Lembrei-me das letras enormes escritas nas costas do meu amigo que dançavam diante dos meus olhos: não volta mais! Ouvi como gritos que me doíam pareciam querer romper meus tímpanos: Estou muito feliz hoje para aturar teu baixo astral, isto pode me contaminar. A partir dai, passei ver com outros olhos e a ler com outros olhos as palavras: Amigo e Não volta Mais.  Uma menina que nem sei quem é, tenho tentado encontra-la, aliás uma vez a vi passar num ônibus, mas eu estava a pé, olhei para todo lado em busca de alguém que me conduzisse até o próximo ponto, não consegui. Aquela menina me ouviu; não sei se me deixou mais alegre ou mais triste, pois notava compaixão em seu olhar, mas me ouviu até sem eu pedir. Não estou feliz agora, mas tenho uma certeza: Diminuiu e muito a relação daqueles aquém um dia chamei de amigo. A noite em vez de sonhar com a bela moça, que na verdade nem sei se realmente era bela, nessa beleza  a que tanto damos valor; sonhei como Los Angeles, lugar que tenho um sonho em conhecer, depois de New York, eu passava num carro conversível preto e ao invés das enormes letras que formam a Palavra HOLLIWOOD eu via; não volta mais, e dançavam felizes talvez como estava aquele a quem pensei ser amigo. Será que ele estava tão errado? Todo Natal que para mim sempre foi uma festa triste, agora tem mais um ingrediente a reforçar essa tristeza: nozes. Por que não ficar alegre então? Talvez porque não saiba mais.

segunda-feira, 4 de maio de 2015




Uma história de beleza muito triste.
J. Norinaldo



Faz uns 40 anos, eu era solteiro e morava num quarto onde moravam outros fuzileiros, ao lado morava uma mulher muito bonita, mas dessas bonitas que dificilmente passam despercebidas e não geram comentários. Um sábado pela manhã coloquei uma cadeira na porta do quarto para tomar sol, quando que dava para a porta dos fundos da sua casa, quando de repente ela sai vestindo chambre de azul belíssimo com um belo dragão pintado as costas, um toalha na cabeça, sentou-se de frente para mim, uma distancia de 20 metros talvez, levantou a perna, e que perna, colocando-a sobre um banquinho e baixou a cabeça para lixar as unhas dos pés é claro. A visão do paraíso. Fiquei sem saber o que fazer, sair dali poderia pegar muito, pensei nisto, mas desisti. Resisti até o fim, tendo momentos que ao trocar de pernas no banquinho mostrava a peça mínima, que mesmo não sendo tão mínima como hoje, não haveria necessidade. Não sabia seu nome, nunca me interessei, até por que tinha certeza que era muita areia para o meu caminhãozinho, que além de ser apenas cabo fuzileiro, nunca bati bem de feições. Um dia 31 de dezembro, por volta de 22;h00, resolvi sair sozinho para tomar uns tragos e encontrar alguns amigos, não tinha namorada só amigas; antes tomei uma bela talagada de uma que sempre tinha no quarto. Não andei 100 metros e senti que um pneu havia furado, desci e fui pegar o estepe e para minha sorte este estava vazio. Voltei, sentei-me no banco e encostei a cabeça no volante do fusca sem atina com o que fazer, com a paciência que tenho e conheço bem tentando me controlar para não atear fogo num carro novo. De repente sinto uma mão em minha cabeça e uma voz doce como mel: O que  houve? Está sem estepe? Levantei a cabeça e pensei: que merda, tive um enfarto e morri logo hoje, nunca pensei que fosse assim! Ela insistiu, vamos lá a minha casa que telefono para um taxi e ele vem buscar o pneu leva numa borracharia e traz rapidinho, vamos lá. Desci ainda  aturdido talvez pela morte repentina e segui aquela coisa que não será uma mulher, quase 1,80, busto farto, cintura ei fina, e as pernas... Não vou dizer com era decorada sua sala pois seria o mesmo que dizer de quem estou falando, para encurtar o papo, o taxi veio, levou os pneus, ela mesma pagou, e ai me convidou para dar umas voltas. Ai foi a vez de o morto ressuscitar e lembrar que tinha apenas 62 cruzeiros novos naquela época, sei que não dava para nada; abri o jogo e ela rindo disse: Não te preocupa com isto.  Estivemos num Barzinho famoso na praça, tomamos alguns Whisky, fomos a duas boates, ela não gostou do ambiente, e me convidou para ir a sua casa. Eu estava adora a morte.  No outro dia de madrugada, atravessei uma cerca e voltei ao meu muquifo. Saímos mais algumas vezes um um dia eu já era casado, estava na Casa di Itália com a minha mulher, quando esta me cutucou e disse: olha a beleza dessa morena! Meu coração quase saiu pela boca, minha mulher notou porque perguntou se eu estava bem, eu disse que sim e sai para fumar. A rainha estava acompanhada de um senhor de meia idade muito elegante. Muito anos depois, voltei a cidade da princesa e uma amigo que era diretor da CEEE me convidou para dar uma volta, fazia bastante frio e fomos para num cabaré, naquele tempo havia isto, hoje as meninas fazem de graça. Lá conversa vai conversa vem, fui apresentado como engenheiro, e uma menina muito bonitinha, acho que tinha algo com esse tipo de profissional se encarnou em mim; tomávamos uma cerveja quando me veio a cabeça da deusa da frente do meu quarto. Perguntei a dona da casa que já tinha bastante idade, faleceu faz pouco tempo pela minha deusa e ela me perguntou duas ou três vezes se ela aquela que morava em tal lugar que era amante do fulano, isto eu não sabia, mas lugar eu tinha certeza. Então veio a bomba que quase me matou realmente deste vez. Ela anda para cima e para baixo por tal lugar, quase sempre urinada e as vezes até defecada, sempre com uma garrafa de pinga; tem um corte  no rosto da testa até o queixo que nunca sarou, está sempre purgando. Aconselho-o a não querer vê-la, aliás, faz um bom tempo que não a vejo, se não a internaram já morreu. Ainda tentei mais uma vez descrever tudo que sabia para ver se havia engano. Nada. Tudo batia direitinho, era ela. Bem podia ser, mas eu não consegui acreditar, convidei meu amigo para voltarmos, não consegui dormir aquela noite, e em muito demorei a conciliar o sono pensando no que representamos neste mundo. Não procurei mais saber nada a respeito dessa mulher  mas aprendi uma grande e triste lição: A vida nos dá a direção, o caminho quem faz somos nós.

sábado, 4 de abril de 2015







Recordar é viver ou Sofrer?
J. Norinaldo.


Para quem gosta de escrever, o que não significa escrever bem, mas gosta e com as facilidades de hoje então. Sento em frente a minha mesa e uma folha de papel roda rasurada se encontra em frente a uma caixa de som cuja luz ilumina e destaca dois nomes: Teoodore Roosevelt e Dustim Hoffman. Olhei e pensei o que Theodore Roosevelt estava fazendo ali esquecido num canto da minha mesa, tentei lembrar-me de algo que escrevi sobre ele, nada, pensei que foi ele que disse que o símbolo dos Estados Unidos teria que ser um Urso e não uma Águia, nem sei se realmente foi ele que disse isto, mas como não falou comigo, não sou obrigado a me lembrar; já o segundo, esse sim, me traz muitas recordações e até hoje quando ouço Mrs Robson sinto um ferroado no coração. Tinha 21 anos de idade quando assisti ao filme “A Primeira noite de um Homem”. 1968 eu cursava para cabo Fuzileiro Naval, assisti ao filme num grande cinema em Botafogo RS, além da música como citei até hoje me toca muito algo ocorreu que jamais esquecerei. Sai do cinema e entrei num grande bar que não recordo o Nemo, tinha um enorme balcão em curvas, muitos espelhos parecia coisa de cinema americano. Sentei-me num banquinho numa curva do balcão e pedi uma dose de conhaque, que também não lembro a marca tanto anos faz que não bebo. Lembro da fina taça, acompanhada de um guardanapo impecável, não muito ao meu costume; comecei a bebericar minha bebida pensando no enredo do filme. Não demorou muito, sentou não muito próximo uma belíssima moça, e como assim por encanto, olhou para mim e pensei que sairia correndo, ou pelo menos procuraria um lugar mais seguro, perguntou-me de repente: O que é isto que está bebendo? Quase me engasgo, mas respondi conhaque! Ela então. Chamou o garçom e apontando meu copo pediu a mesma coisa. Chegou mais para perto, e então pensei logo: uma prostituta, pelo menos muito bonita e muito bem vestida. E ai, pensando em que? Perguntou de chofre; falei-lhe que pensava sobre o filme que acabara de ver e  ela disse, bem, esse não vai ser um bom tema para conversarmos, isto é se estiver a fim de conversar comigo, pois pretendo assistir ao filme e odiaria se me contasse. Mudamos de assunto e pelo que abordou, tive quase certeza se realmente fosse uma prostituta seria de altíssimo luxo, o que não constava nas minhas cogitações. Olhei para todos os cantos e naquele bar enorme, apesar que caia uma fina garoa só nós dois, o garçom e alguém na cozinha bem distante; lembrei-me de uma antiga e desgastada piada, de que você deve sentar-se sempre na entrada de um bar, pois tem mulheres que saem de casa fulas da vida com o marido  ou parceiro e dizem: Vou dar para o primeiro que aparecer. Isto me frustrou um pouco, porque não havia escolha no momento. Só eu. Final de Papo ou para encurtar, tomamos mais duas doses de conhaque e ela me convidou para ir ao seu Apartamento ali perto na Rua Voluntários da Pátria. Eu não acreditava em nada, parecia que entrara na tela e agora fazia parte do filme com um enredo diferente, mas a trilha sonora era a mesma. Chama-se Cléia  a moça, usava um vestido azul brilhante de alças um penteado de atriz e cheguei até a pensar que chegara minha hora e por ser muito feio, Deus me mandara a morte disfarçada de mulher bonita e elegante. Tive uma noite fantástica, no outro dia fomos a praia, ainda bem que eu tinha dinheiro suficiente para alguns cocos gelados, mas o short ela me emprestou. Sai dali na segunda feira ainda escuro, para ir para o quartel, mais feliz que pinto no lixo já pensando no próximo encontro, como naquela época o telefone, não era como hoje, eu teria que ir pessoalmente o que para mim não era nenhum sacrifício. Meus colegas notaram a minha felicidade, perguntavam uma monte de coisas, mas eu tinha medo de contar e ou acordar ou alguém com olho  gordo estragar tudo. Tinha um acampamento marcado para aquela segunda feira, lá  na Barra da Tijuca, ainda zona rural; ficamos até a sexta feira acampados e pela primeira vez pensei em desertar da marinha para ir encontra a minha deusa. Não o Fiz, mas no sábado estava eu em frente ao prédio, não antes de ir a Impecável Maré Mansa uma loja que vendia a crédito ao pessoal de Marinha e adquirir uma linda veste, sapados novos, estava nos trinques. Cheguei ao sétimo andar, tremendo de emoção e não sei mais o que, apertei a campainha e ouvi passos lentos no tapete já conhecido, meu coração parecia que ia sair pela boca, ainda bem que por falta de um buquê de flores que a Impecável não vendia, eu vi a porta se abrir e uma senhora de cabelos tão brancos que pareciam ou eram azuis, me cumprimentou educadamente  e disse: Pois não! Eu não pirei, ora poderia ser a avó da moça que poderia ou ter saído ou está dormindo, ou tomando banho quem sabe pensei. Expliquei-lhe que conhecera uma moça, dei todos os detalhes, no final ela deu um sorriso maroto e eu gostei, ela então soltou a bomba, parece que escuto até hoje quando por acaso ouço Mrs. Robson; É minha neta, ela mora na Grécia e viajou para lá na quarta feira. Não a senhora deve está enganada ou eu me enganei de porta, ou de prédio, não pode ser. Sim, filho, disse ela, sempre foi brincalhona, deve ter lhe contado mais uma das suas histórias, ela é casada com um jovem engenheiro grego há 5 anos, deve voltar por aqui daqui a uns cinco anos novamente. Sai dali sem ver nada, entrei no primeiro boteco e ao invés de conhaque agora foi cachaça  mesmo, quando acordei, estava sentado no chão, em frente a uma Padaria cujo nome era Rio Lisboeta, quem morou no Leblon nessa época deve se lembrar, se é que ainda não existe. Voltei para o quartel, e todos notaram a minha infelicidade, fique sem sair por quase 40 dias. Outro dia ia saindo do Santander aqui em minha cidade e quase tenho outro infarto, vi alguém, que claro não era ela, mas nunca vi ninguém tão parecida, esta quase saiu correndo pela maneira que a olhei. Depois fiquei no carro rindo para não chorar.


quinta-feira, 26 de março de 2015


Hoje És apenas Saudade e...
J. Norinaldo.



Hoje estive olhando por um tempo demorado uma velha foto em preto em brando de um amigo com quem costumava conversar, tinha um pequeno restaurante e eu lá quase sempre estava tomando um trago, coisa que há muito não faço e entabulando uma boa conversa. Era bem mais velho que eu, gostava de ler livrinhos de bolso de Faroeste; na maioria das vezes atendia seu estabelecimento vestindo calças negras bem vincadas e camisas brancas impecáveis com uma liga preta no ate braço esquerdo, ficava muito ancho quando o comparava com um bancário do velho este americano.  Hoje é apenas saudade. O que significa ser apenas saudade? Você já pensou que um dia essa é a única certeza que terá nessa vida é que será apenas saudade, se for? Dias atrás estive num cemitério, e como faço sempre caminho pelas estreitas ruas, lendo epitáfios e vendo fotos, e dando tratos a bola justamente sobre este assunto aqui agora aventado. Cheguei a um estranho e feio local, a um ossuário, muitos crânios, tíbias, braços costelas, em fim ossos humanos e pensei olhando na direção de um aglomerado que efetuava um enterro. Mulheres bonitas, uma em especial chamava a atenção pela beleza, o porte de princesa, a maneira de se impor; olhei novamente para o ossuário; será que aquela moça e tantas outras que hoje vivem entre nós, imaginam que um dia serão apenas saudades ou parte de um amontoado de ossos, por vezes fétidos, e que alguém que daria tudo na vida para ter de si um abraço, um beijo, um carinho, ou mesmo tê-la nos braços fazendo amor, e que isto significaria o paraíso na terra; agora, precisaria de máscaras e luvas se tivesse que tocá-la, e que muito pelo contrário do momento anterior aqui citado, quando procuraria não lavar as mãos ou o corpo para não perder seu perfume; ora já teria pronto algum tipo poderoso de desinfetante para uma total assepsia? O que somos nós para sermos tão orgulhosos e soberbos? O que nos dá  a alguém esse direito tendo esta total certeza de um futuro sem escape? Qual a diferença ou o cheiro da ossada daquela moça que vejo com tanta beleza, apesar dos olhos tristes no momento, para essas a que olho agora? Seria cheiro, odor, ou fedor ou fetidez? Só a saudade não tem cheiro, e será que alguém já se perguntou o tempo que dura o perfume das pétalas de rosas que enfeitam, ou cobrem aquele que acaba de tornar tristes os belos olhos da jovem supracitada, depois que o último tijolo for colocado? Dou mais uma olhada em direção a jovem que começa a se afastar com um lindo modo de andar, enquanto começa cair uma fina garoa, dou mais uma olhada para os ossos e também meu vou, inclinando a cabeça com quem diz: Até um dia... Não só para mim que sou feio e também não devo andar muito elegante, mas para todos, sem exceção, belos ou feios, banqueiros e bancários, capitães e corsários, todos sem exceção; hoje soberba, orgulho, ostentação, assédio, amor e carinho. Um dia, Eu, a Bela, o  banqueiro e o bancário, o capitão e o corsário. Saudade, fetidez  usuários talvez do primeiro ou do mais alto degrau da humildade, que nunca preocupou a maioria da humanidade.  Ainda passei pela frente do túmulo recém-lacrado, um retrato retangular numa moldura de luxo, mostrava uma senhora de idade agora, mas que dava para notar que ostentara certa beleza outrora.





O Brilhante que mais Brilha.
J. Norinaldo.



O diamante é sem dúvidas o mineral mais duro e talvez o mais valioso da terra, amado e cobiçado, orna os mais famosos colos por todos os cantos do planeta onde seu brilho indica o valor intrínseco do colo que ornamenta. Por mais duro, mais rara e mais cara, o diamante pode ser lapidado, enfeitado, moldado de acordo com a beleza escolhida. Apesar de tanto valor, tanta raridade a natureza dá uma lição de humildade e estes podem ser encontrados entre cascalhos pedras sem nenhum valor aparente. Um diamante, às vezes tem o valor suficiente para alimentar um milhão de seres humanos famintos por um bom tempo, mas na verdade, alimenta a vaidade, a soberba e o orgulho. Existe somente na face da terra algo mais duro, mais valioso e que jamais é moldado ou lapidado que se chama caráter, em algo muito parecido como o diamante, que como disse pode ser encontrado entre cascalhos, pedras sem nenhum valor aparente, e o seu brilho somente ofuscado pelo brilho do segundo. Como jamais poderá ser moldado ou lapidado, de valor incalculável, o caráter não enfeita colo ou anéis, e também se encontra onde para muitos são becos escuros e sujos, vielas ou mesmo entre aqueles que não têm sequer um teto para se amparar da chuva, ou os constroem com os cascalhos que para quem busca diamantes não tem nenhum valor. O maior diamante do mundo é medido em quilates, porém até hoje mesmo depois da descoberta da Física quântica e de uma tecnologia  que sequer existe ainda uma linguagem adequada para descreve-la; não se conseguiu descobrir uma medida para o caráter. Um diamante surge como diamante, depois de lapidado chama-se brilhante e dependendo do quilate  dita a fortuna e o status do seu proprietário; o caráter diferentemente, nasce com seu dono é para sempre intransferível, talvez por isto mesmo não tenha preço. Um castelo todo construído de diamante que alcance as nuvens, não tem o valor do caráter de um pobre homem que fez sua vivenda de cascalhos, e que se veste coberto de trapos e remendos. Se me perguntarem e algo posso dizer se digo a verdade ou minto, se preferiria possuir 100  diamantes dos mais altos quilates, ou simplesmente um rancho feito de cascalho e coberto de capim, mas com caráter, simplesmente caráter, que não veste, não orna e nem alimenta ninguém, eu tenho certeza que saberia o que responder. Só há um, porém como supracitado caráter, nasce com seu dono é intransferível e quem o deu, foi o mesmo criador da terra, do céu e do mar, de todo o firmamento, incluindo na criação o diamante, não como comparação de valores com o caráter, talvez para mostrar a humanidade que não existe apenas um sol, e nem só de brilho e luz este é feito; e que se a escuridão é apenas ausência de luz, A vaidade, a soberba e o preconceito sobre a beleza, representada pelo brilho tão diferente do diamante, nada mais é que ausência de algo mais duro, mais raro, mais caro e mais brilhante que se chama... Caráter. Eu nunca tive um Diamante nas mãos, nem por isto posso afirmar que tenho caráter... Pense nisso.