terça-feira, 9 de maio de 2017




Saudade das Crianças que Davam Trabalho.
J. Nori


Hoje é tão comum você receber uma visita ou mais com várias crianças e ser logo alertado: "Não te preocupa porque elas não dão trabalho". Pura verdade, podem ser duas, quatro ou até cem, precisam sim, de um espaço para sentarem e de WI-FI, inprescindível para que tal assertiva tenha o resultado esperado. Outro dia fui com um amigo fazer uma visita a outro amigo nosso que não vinhamos ha anos, era num sítio e lá chegando nos deparamos com um lugar de sonhos; uma casa com alpendere, bem próximo um riacho lindo para um banho no verão, mes em que estávamos, um quintal enorme com árvores frutíferas e frondosas. Meu amigo visitante tem um casal de filhos, uma menina com 10 anos e um garoto com 11 anos. Nosso amigo visitado tem 4 filhos, sendo 3 meninos e uma menina, sendo a mais velha com 12 anos; pensei, esses agora realmente vão se divertir como nunca, pois quiçá nunca tenham tido uma oportunidade como esta. E realmente houve um ensaio, sairam todos correndo em direção ao riacho, meu amigo visitante depois de ter a certeza de que não haveria perigo, deixou-os ir tranquilamente, e não demorou meia hora chegaram os dois esbaforidos e um tanto decepcionados; pediram ao pai a chave do carro, voltaram de lá com Tabletes, sentaram-se no chão do alpendre e adentraram seu mundo real, ou irreal naturalmente. Os meninos do sítio pareceram interessados, mas logo vendo, ou não vendo graça naquilo que não entendiam voltaram para o riacho; e foi ai que pude perceber o quanto fui feliz quando menino e fui aplaudido silenciosamente pelo menino que ainda vive em mim por tal pensamento. Na viagem de volta perguntei aos meninos o que tinham achados dos meinos do sítio. São massa, respondeu a menina, só não consegui ver o que eles acham de tão interessante aquele riacho e correr subindo em árvores como macacos, uma brincadeira perigosa e cansativa. Realmente, crianças não dão mais trabalho nem em casa e nem nas casas dos amigos; a antiga varinha de marmelo foi eficientemente substituida por 4 letrinhas mágicas WI-FI, nelas estão também inclusos: Amor, afeto, carinho, companheirismo e diálogo e teremos pequenos robos que não podemos esquecer que como os meninos do sítio, ainda se alimentam e dormem; e antes de abrirem os olhos para acordarem, se viram para o lado e dão de mão na Vida, ou seja Tablet. Legal não? Crianças que não dão trabalho e talvez...Nada

terça-feira, 2 de maio de 2017




O Marimbondo e o Eleitor.
J. Nori.


Entrei em minha sala, abri a janela e não vi que nesse movimento prendi um marimbondo vermelho entre os vidros, da minha mesa o vi andando apressadamente em todas as direções e pela posição que estava pude ver que o prendera; e é uma situação que as vezes em sonho me deixa em grande aflição. Levantei-me fechei novamente a janela para que voasse, mas nada, ele procurava o local onde estava, em dado momento, quando escondeu metade do corpo no vão da janela, o peguei pelas asas para coloca-lo para fora, ele se virou e ganhei uma doída ferroada. Coloquei o marimbondo para fora, que saiu voando tranquilamente, e fiquei aqui pensando, que por não pensar, ele deveria ter feito a coisa certa; errado seria eu se to tivesse esmagado. Será que nós pobres somos marimbondos na hora de vortamos? Encontramos algo com várias opções de liberdade, de alegria e felicidade, e uma mão que nos aponta qual a opção certa e nessa metemos nosso doído ferrão; na certeza que não seremos na hora esmagados, porque um sábio sabe que este seria o instinto de um marimbondo? Diferentemente do Marimbondo, não voamos, mas podemos aprender, não a voar, mas a Votar e muito mais, a ser votado; porque na verdade o Ninho de Zangões que se formou em nossa Capital amada, nem de longe condiz com o número de mãos ferroadas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016




Pelé Não Anda Mais.
J. Norinaldo.


Pelé não anda mais em campo, se arrasta de tanta paulada que levou não só dos zagueiros, mas do time adversário inteiro, será que ninguém ver isto, será que não seria muito mais prudente retira-lo de campo correndo o risco de perder uma partida, não melhor jogador do mundo? Será que só eu consigo ver isto? Pelo amor de Deus sejamos coerente, quem seria o jogador neste planeta capaz de nos garantir a vitória do título tão sonhado? Eu ouvi isto de mim mesmo, e não foi só assim, tenho certeza. Mas, como tudo na vida tem um fim, Pelé driblou com majestade seus adversário, mas uma vez mais não conseguiu  driblar o tempo; e agora vejo uma triste notícia no Facebook que caso não seja verdadeira como tantas publicadas por pura maldade, ficarei contente: "Pelé não anda mais" e agora não é em campo por causa das chamadas jogadas viris dos adversários, mas não anda mais na própria vida; que ao que parece ficou de vez com a Bola. Associada a notícia está o fato de que o Rei do futebol não reconheceu uma filha que faleceu tempo atrás; que coisa feia não é mesmo? Bem! Eu aqui no meu egocentrismo não apenas sentia felicidade com as jogadas geniais e os goals fabulosos do melhor jogador do mundo, queria também que fosse o melhor homem do mundo, sem direito a erros, afina ele é um rei. A vida de um ídolo me pertence, ou então vai ser ídolo de outro para lá. Bem, enquanto me preocupo com a maldade do rei em não reconhecer sua filha, não tenho tempo para me preocupar, tempo ou vontade de me preocupar se não tenho não uma, mas várias filhas por ai e que por falta de fama e dinheiro ninguém procurou reconhecimento; não é verdade, bem conveniente. Não quero aqui justificar o procedimento de ninguém, até porque não tenho para isto nenhuma procuração, e dizer para mim mesmo, ou é eu mesmo? Que continuo fã de Pelé, aradona, Romário, Romerito, Zico, e tantos outros que de uma forma ou de outra me fizeram vibrar de alegria por alguns segundos e que suas vidas particulares não me pertencem e não me dizem respeito. Ah! Não? Toda aquele que adquire fama e sucesso através da minha cumplicidade tornam-se figuras públicas e não tem direito a privacidade? Acredito que não, alguém pode ter sido tão fã do Pelé quanto eu, mais é impossível no tempo em que acreditava e gostava de futebol; mas, posso garantir que o mais perto que cheguei dele, foi numa partida entre Santos e Flamengo em que fiquei na Geral; foi uma partida em que a um Time do Congo fez a preliminar e depois não saía de campo, e aí alguém foi lá e os avisou que tinham que desocupar o ambiente, e exigiram que Pelé entrasse antecipadamente e tirasse uma foto com eles. Vi o sorriso do Pelé brincando com o Fio, adorei ter ido de geral, ou não teria visto meu maior ídolo de tão perto. Caso verdadeira a notícia, lamento Pelé, mas todos um dia deixaremos de andar, de respirar, em fim, de viver; enquanto isto não acontece, deveríamos refletir no quanto somos relapsos com nossas vidas enquanto cuidamos da dos outros.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016




Palhaços Sinistros.
J. Norinaldo.



Interessante, vi uma reportagem sobre aparições de Palhaços Sinistros nos Estados Unidos, Reino Unido e que como adoramos imitar já existem notícias dos tais Palhaços em São Paulo. Por que interessante para muitas crianças Palhaços sempre foram sinistros, lembro-me de uma entrevista com o Jô soares, que se não me falha a memória aquele entrevistador, tem medo de Palhaços até hoje. Por que crianças temeriam alguém que foi criado justamente para fazê-las sorrir e por que a palavra: “Sinistro” parece ter caído tão bem no atual contexto para tais atores? Será a falta de sorrisos no mundo, na humanidade, onde o motivo principal hoje para um sorriso, quando não se trata de sedução amorosa falsa é para se conseguir subir algum degrau na vida, mesmo que seja pisando um ou mais semelhantes? Você já conheceu alguém que vive da profissão de Palhaço? Já ouviu alguma história dessa pessoa, como por exemplo: Fazer palhaçada para que as pessoas sorriam, quanto mais, melhor, para abafar os seus soluços? Não! Claro que não. O que importa é que Palhaço tem que fazer sorrir porque para isto é pago, se as crianças morrem de medo deles pouco interessa; pois quem os contratou também já foi criança, morria de medo de palhaços, mas esse morria é sentido figurado e não se tem notícia de nenhuma criança que morreu durante uma palhaçada. Palhaços sinistros, ou Sinistros é o mundo sem palhaçada? Sem sorriso, ou com sorrisos pré-fabricados? Hoje é o dia da Criança, no Brasil dia 10 de dezembro é o Dia do Palhaço, criado por uma Empresa. Sinistro: Fúnebre, funesto, sinceramente, o que teria de alegria em algo assim? E qual seria o Mistério dos Palhaços? Se é que existe tal mistério, ou apenas confundimos a falta de vontade de sorrir e não sabemos exatamente a quem culpar! Ou Palhaços Sinistros, são apenas Palhaços fora do seu habitat?



Feliz Dia da Criança.
J. Norinaldo.



Hoje é o Dia da Criança, vamos brincar? Não eu vou navegar! Li faz algum tempo um documento que foi considerado como a fraude de século e que em dado trecho rezava o seguinte: “Daremos brinquedos as crianças para que não precisem e, portanto não pensem”. Hoje temos crianças ou uma grande maioria delas, com 4 anos de idade e 10 vezes mais informações que um Imperador romano no auge do império. Mas isto é bom, não é? No meu ponto de vista seria se fosse aprendido, não decorado; se essa mesma criança acompanhando tanto conhecimento não usasse apenas o cérebro e os dedos, cuja coordenação motora  inexiste por completo. Mais uma vez estive em uma casa, onde existe um enorme quintal, e onde antigamente se via angicos com cordas penduradas com pneus   formando um verdadeiro Parque de Diversões onde os pais das crianças de hoje se balançavam e faziam a maior algazarra hoje um verdadeiro deserto, exceto pelas galinhas ciscando entre as ervas. Foi-me diagnosticado Labirintite aos 69 anos de idade e agora há pouco, aliás hoje exatamente estaria chegando a Miami nos Estados Unidos, paguei uma pesada multa por transferir as passagens e acredito que justamente por ter tentado passar uma fase de vídeo Game coisa que fazia com certa facilidade há 15 anos atrás; minha mulher pegou bastante vidas, tentei por mais de 50 vezes, não passei e ainda no dia seguinte a terra quis me mostrar que girava na velocidade que queria ; já um sobrinho que acorda apenas se vira para o outro lado e pega o Joystick, também foi diagnosticado pelo mesmo mal, só que tem 9 anos. Bem, dificilmente crianças serão meus leitores, e quiçá isto seja deveras desinteressante, mas como venho dizendo, se ninguém ler, alguém para mim muito importante leu e onde pode passa o alerta.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016




De-me Mais uma Chance, Por Favor!
J. Norinaldo.



Uma das músicas que mais gosto é Let Me Tray Again ( Dexa-me Tentar outra Vez) Frank Sinatra. Quando ouvi o cantor declamando essa obra prima com a mais bela voz que ouvi até hoje e tenho minhas dúvidas  se ouvirei algo igual durante o resto do caminho, no Maracanã, onde eu e mais 1.4999 mil pessoas nos aglomeramos para com nosso silêncio tão pesado que se um mosquito voasse próximo todos ouviríamos; pensei que não precisaria ouvir mais ninguém, empolgação do momento. Mas, não me passou despercebido no momento apesar de toda emoção de que aquele apelo, tinha um sentido bem profundo, como se algum semideus se rebaixasse a pedir outra chance, mesmo sabendo remotas ou impossível sua admissibilidade. Na hora, realmente lhe foi negado tal chance e não sei o que pretendia com tão maneira de pedir; tenho certeza que muitos ali assim como eu a única chance que queríamos naquele momento, era que aquela canção ou aquele apelo não terminasse nunca. Desde então, tenho visto e me lembrado daquele momento sempre que vejo alguém que teve uma vida inteira para fazer algo tão fácil e não fez, quando já é totalmente impossível pedir uma nova chance. Ora, quem ouviu Let Me Tray Again, como eu ouvi e de quem ouvi da maneira que ouvi e lhe foi negado, como podem ousar simples mortais pedir, simplesmente pedir e alcançar êxito em tal pedido. Eu sei que não sou nenhum exemplo a ser seguido e que fiz tudo que deveria fazer por quem deveria, mas  não querendo me redimir de culpas as quais reconheço, tenho que admitir que não tive todas as chances; quiçá me tenham sido dadas, porém como quase todos os jovens, pensei que a juventude e a vitalidade nela existente durariam uma eternidade e que nessa eternidade eu escolheria o momento certo para fazer o que tinha que ser feito. Não fiz, quem sabe acreditando que me seria concedido o que foi negado a Sinatra por ter menos pecado que ele, mais um pecado mortal que não me cabe julgar. Se você pode dar Amor, carinho, Afeto ou simplesmente dar Atenção a alguém, faça-o agora enquanto pode, depois poderá ser tarde demais e o Pedido de Let Me Tray Again  Is Free, Bat...O deferimento de tal apelo independe de quem pede e sim de Quem julga; você pode não saber ou ter a certeza do resultado, mas Quem Julga você só não conhece se não quis, também independe do nome que lhe deram, é sempre Será um Só.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016




O Encantamento que se Foi Quiçá num Carro de Boi.
J. Norinaldo.



Pare por um momento, feche os olhos e imagine uma Vila encantada, cheia de belezas simples como meninos descalços brincando alegremente na praça por desconhecerem os dissabores da vida, ou até viver alguns, mas que a alegria contagiante da brincadeira inocente os fazia esquecer tudo; assim como num conto de fadas ou nas histórias contadas pelos mais velhos, com castelos e princesas, como se o mundo se resumisse aquela Vila, aquela Praça; e de repente todos param, pois de algum lugar vinha uma voz também encantada, que dizia coisas que ninguém entendia, mas sentia a emoção e a beleza de uma canção. Da Farmácia no centro da Rua na parte de baixo, entre luzes também encantadas, pois eram as primeiras luzes fosforescentes que eu e quiçá todos aqueles meninos descalços e felizes tinham visto. Aquela voz maravilhosa cantando Unforgettable, hoje eu sei que era, e até conheço a letra; quantos anos depois? 60 anos? Nat King Kole se foi, o menino descalço conseguiu sapatos e caminhou para bem longe da sua Vila encantada, que na verdade também mudou, na mente daquele menino, porém não mudou nada. Hoje, longe da Vila e da Praça, da graça de ter 9 anos, quando os desenganos são apenas fantasias; quando me apaixonava por uma menina e nem lembro se tinha seios porque só lhe via o rosto; e hoje o tempo malvado apagou sua imagem da minha mente. Trocaria todos os meus sapatos, as voltas que dei no mundo chegando no mesmo lugar para ouvir novamente, Nelson Gonçalves cantando daquela Farmácia, “ A Deusa do Asfalto” e tantas outras; quando balançando os pés descalços, parávamos qualquer brincadeira para ouvir aquele som que nos penetrava a inocente alma e nos levava a sonhar com o muito pouco que conhecíamos. A farmácia de Zé Aguiar era assim que chamávamos, na verdade o Sr. José Aguiar, filho de uma família tradicional daquela Vila encanta. Será que tudo aquilo me restou apenas à saudade, à dor de ter visitado na última vez que ai estive a maioria daqueles meninos descalços no cemitério da hoje cidade de Cachoeirinha? Quiçá a partir dali Do som que vinha como uma onda e penetrava nossos ouvidos único momento em que existia silêncio entre nós; tenha nascido em mim algo que se enraizou e que muito tem me feito sofrer, o bom gosto não só musical, mas um bom gosto em geral; será por isto que não aceito e teimo em ver Cachoeirinha como era? Seria um crime abominar o progresso que a transformou e que inclusive derrubou a Farmácia que curava as dores do corpo com as meizinhas modernas e as da alma belas melodias? 60 anos depois, depois de ter visto ao vivo Frank Sinatra cantando Let Me Try Again, uma das minhas prediletas melodias, eu ainda choro ao me lembrar dos sons que vinham da Farmácia de Zé Aguar? Dizem que antes da morte nos passa rapidamente um filme retratando tudo que vivemos; será muito triste se aquele rosto aparecer nesse filme, tanto tempo depois; mas na verdade também já não acredito mais nisto, porque até o cinema acabou. O Cinema do seu Eriberto, depois D. Maria, Maninho...O Metro, o Idelmar,  Alhambra, e tantos outros que conheci pela mundo. Escrevi este texto ouvindo Nelson Gonçalves,  Nat King Cole e Frank Sinatra e lembrando cada um daqueles meninos descalços, tanto os que visitei no Cemitério quanto aqueles que nunca mais tive notícias, a não ser em sonhos que me machucam a alma. Outro dia eu discutia com uma moça que colocava uns sacos de lixo no local onde ia estacionar o carro, quando alguém de dentro da loja gritou: O que está acontecendo ai? E a moça respondeu: É um velho que está criando caso porque estou colocando o lixo aqui! Tomei um tremendo susto. Não! Eu não sou velho, faz tão pouco tempo que eu brincava na Praça do comércio em Cachoeirinha; parece até que ainda ouço o som que sai da Farmácia de Zé Aguiar; ela só pode estar falando de4 outra pessoa. Não! Era de mim mesmo, a patroa saiu e me reconheceu me pediu desculpas pelo transtorno, mandou que a moça retirasse o lixo imediatamente e perguntou: você não sabe quem é este senhor? Mas não a repreendeu pelo velho; sai dali não ouvindo mais som nenhum, nem da minha própria voz, pois não lembro se disse algo.